Sensibilizar, entender e empoderar moradores da zona rural quanto à importância e responsabilidade em ações rotineiras de saneamento básico.
A Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH), através do Programa de Revitalização de Bacias Hidrográficas (Probacias), implementa soluções de saneamento básico na zona rural, como a instalação de biodigestores. No entanto, a simples instalação dos equipamentos não garantia seu uso correto e a mudança de comportamento necessária.
O desafio era profundo e humano: como sensibilizar, entender e empoderar moradores da zona rural quanto à importância e responsabilidade, individual e coletiva, em ações rotineiras de saneamento básico?
O objetivo era criar um processo de comunicação e educação ambiental que fosse construído junto com a comunidade, não imposto de cima para baixo, garantindo o uso adequado dos equipamentos e promovendo uma mudança cultural sustentável.
Utilizamos a metodologia dos Ciclos de UX, que combina design thinking, user experience e metodologias ágeis para resolver desafios complexos de forma colaborativa e centrada no usuário.
Foram realizadas entrevistas em profundidade com agricultores e líderes comunitários das áreas beneficiadas pelo Probacias. A partir dessas conversas, a equipe criou a persona Agriano:
Agriano
Morador consciente e motivado, mas que se sente incomodado com o descarte inadequado do esgoto por falta de orientação.
A investigação validou o problema central: a falta de acesso à informação correta sobre o uso e a manutenção dos equipamentos, como os biodigestores. Uma fala de entrevistado resumiu: "O produtor tem hora que agride o ambiente, mas é porque não tem a informação necessária".
As ideias de funcionalidades foram focadas em engajamento e educação. As três principais frentes de ação definidas foram: engajar os familiares (através de formulário/pesquisa), fornecer orientação prática aos agricultores (guia de boas práticas) e apresentar as ações para parceiros em oficinas presenciais.
A equipe desenvolveu um conjunto de protótipos focados na comunicação e educação ambiental, que foram levados a campo para serem testados e validados diretamente com a comunidade, garantindo que os materiais fossem adequados à realidade local.
A solução foi um conjunto de ações e materiais educativos, criados para e com a comunidade, visando o envolvimento e o empoderamento dos moradores rurais.
Foi elaborado e aplicado um formulário (via Google Forms) para conhecer os hábitos da comunidade em relação ao lixo e esgoto. A pesquisa foi anônima e rápida, servindo como ferramenta de diagnóstico e sensibilização.
Um folder colorido e didático foi criado, com instruções claras e ilustradas sobre o sistema de tratamento de efluentes, especialmente a manutenção do biodigestor, usando linguagem acessível e visual.
A equipe realizou encontros com a comunidade para apresentar os resultados da pesquisa, validar o guia de boas práticas e discutir abertamente a importância do saneamento, fortalecendo a relação entre poder público e cidadãos.
Foi gravado um vídeo com um dos beneficiários do programa, que compartilhou sua experiência positiva com o biodigestor. O vídeo serve como poderosa ferramenta de comunicação peer-to-peer, usando a linguagem e credibilidade de um membro da própria comunidade.
O Guia de Boas Práticas foi elaborado e validado pela comunidade, garantindo que a linguagem e o conteúdo fossem adequados à realidade local, aumentando a efetividade da comunicação.
A pesquisa foi aplicada a 80 pessoas, gerando dados valiosos sobre os hábitos e a percepção da comunidade, servindo de base para ações futuras e mensuração de impacto.
Foram realizadas 2 reuniões presenciais, essenciais para criar um diálogo aberto e colaborativo, fortalecendo a confiança entre o poder público e a comunidade rural.
Os servidores públicos envolvidos desenvolveram e aprimoraram suas habilidades de comunicação e mobilização social, aprendendo a trabalhar de forma mais próxima e empática com o cidadão.
Multidisciplinaridade aplicada, esforços concentrados e muita esperança depositada. A mudança de comportamento começa pelo diálogo e pela cocriação com a comunidade.